O impacto da IA generativa nos canais de TI

por Luis Cuevas*da Schneider Electric
A inteligência artificial generativa (IAGen) marca um momento decisivo na trajetória do mercado de tecnologia ao transformar não só as funcionalidades das soluções digitais, mas todo o ecossistema em que são desenvolvidas, implementadas e consumidas. Diferentemente de ciclos anteriores de inovação, este atual reúne velocidade, escala e sofisticação, proporcionando um ambiente dinâmico para empresas do setor.
De acordo com o relatório 2025 AI Adoption Report, da Wharton School, 82% das instituições já utilizam a IAGen semanalmente, enquanto a maioria das organizações começa a migrar de fases de experimentação para modelos com retorno mensurável. Esse avanço amplia o potencial da tecnologia e indica uma mudança estrutural no modo como a TI se organiza e emprega qualidade.
Historicamente, revendas, integradores e parceiros sempre ocuparam uma posição central na implementação e sustentação de soluções tecnológicas. No entanto, a chegada da IAGen modificou profundamente essa dinâmica. Ao mesmo tempo em que impulsiona novas possibilidades, ela aumenta o nível técnico das entregas, exigindo especialização, repertório analítico e adaptação contínua.
Diante desse panorama, o canal atua como um intermediário comercial e desempenha o papel de classe estratégica no ecossistema digital. A crescente demanda por soluções baseadas em IA requer uma atuação consultiva, capaz de traduzir necessidades de negócio em arquiteturas tecnológicas robustas, escaláveis e alinhadas a objetivos de longo prazo. Trata-se de uma transição significativa: mais do que comercializar tecnologia, os canais passam a viabilizar sua incorporação concreta nas organizações.
Simultaneamente, a IAGen impacta diretamente a maneira como os próprios parceiros operam. Ferramentas baseadas em modelos avançados de linguagem já são endereçadas para automatizar processos comerciais, acelerar a geração de propostas e aprimorar o relacionamento com clientes. Esse movimento tende a incrementar a produtividade, porém impõe uma nova adversidade: destacar-se em um local em que diversas atividades se tornam amplamente automatizadas.
Outro ponto crítico está na infraestrutura necessária para sustentar essa transformação. Aplicações baseadas em IA demandam alto poder computacional e maior eficiência energética e previsibilidade operacional. Para o ecossistema de parceiros, isso representa uma oportunidade. Por outro lado, pede responsabilidade: orientar seus clientes na construção de ambientes aptos a lidar com cargas intensas e variáveis sem comprometer a performance ou a sustentabilidade.
Nesse contexto, ganha espaço o uso de plataformas digitais que oferecem visibilidade e inteligência sobre a infraestrutura de TI. Tecnologias que combinam monitoramento contínuo, análise de dados e automação permitem antecipar riscos, reduzir interrupções e apoiar decisões assertivas ao longo do ciclo de vida dos ativos. Essa lógica, baseada na integração entre conectividade e inteligência analítica, vem se consolidando como um dos principais habilitadores de operações eficientes e orientadas por dados.
Mais do que acompanhar as revoluções tecnológicas, os parceiros precisam revisar sua atividade. A IAGen não apenas cria novas avenidas de crescimento e perspectivas de negócios, como também estabelece um patamar extremamente elevado de excelência em termos de conhecimento, agilidade e entrega. Aqueles que conseguirem se posicionar como agentes estratégicos – integrando tecnologia, operação e visão de futuro – estarão bem preparados para capturar valor nesse cenário.
A história da tecnologia mostra que momentos de ruptura trazem uma reconfiguração de mercado. A IA generativa é um desses marcos. Para os parceiros de TI, o desafio vai além da adoção dessa tecnologia e envolve compreender como ela altera sua relevância dentro de um ecossistema cada vez mais variável e orientado por dados.
*Luis Cuevas é diretor de Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil






