Municípios mineradores têm boa capacidade fiscal, mas avanços sociais variam entre regiões, aponta Agenda Pública

Municípios mineradores têm boa capacidade fiscal, mas avanços sociais variam entre regiões, aponta Agenda Pública   

Dados foram usados como base para o Prêmio Municípios Mineradores 2026 e mostram que, com boas práticas, é possível ter municípios prósperos e com munícipes usufruindo de benefícios oriundos de políticas públicas 

Municípios mineradores têm boa capacidade fiscal, mas avanços sociais variam entre regiões, aponta Agenda Pública

A mineração amplia a capacidade de investimento de muitos municípios brasileiros, mas essa vantagem fiscal ainda não se traduz, de forma homogênea, em melhores indicadores de saúde, educação, saneamento e meio ambiente. É o que mostra uma análise da Agenda Pública a partir dos dados que embasam o Prêmio Municípios Mineradores 2026, realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e o Ministério de Minas e Energia (MME).

O levantamento considera 79 municípios em que a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) representou, ao menos, 5% da receita total municipal em algum ano entre 2018 e 2025. A base foi organizada em oito dimensões, sendo elas: saúde, educação, proteção social, finanças públicas, infraestrutura, meio ambiente, desenvolvimento econômico e gestão, e serviu de referência para reconhecer boas práticas de governança pública em territórios com atividade mineral relevante.

Para ter acesso a base completa e os dados por territórios, clique aqui. 

Os dados indicam que a mineração pode ampliar o espaço orçamentário dos municípios. Na dimensão de finanças públicas, os 79 municípios analisados ficam acima da referência nacional em indicadores como autonomia, investimentos e liquidez. A autonomia média é de 0,607, contra 0,44 da referência nacional; o indicador de investimentos chega a 0,848, diante de 0,70; e a liquidez média é de 0,712, contra 0,66.

Ao mesmo tempo, o levantamento aponta que os efeitos sobre a qualidade de vida dos munícipes variam conforme o território e a capacidade de implementação das políticas públicas nesses territórios. Em saúde, os municípios mineradores têm gasto per capita médio de R$ 2.237,93, acima da referência nacional de R$ 1.794,70, e maior cobertura de Atenção Primária à Saúde. Ainda assim, a mortalidade infantil média é de 16,33, superior à referência nacional de 12,62.

Na educação, o padrão mostra-se semelhante. O gasto médio por habitante é de R$ 2.588,79, acima da referência nacional de R$ 2.080,29, mas os resultados de aprendizagem ficam próximos da média do País. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) dos anos iniciais é de 5,70, igual à referência nacional, enquanto o dos anos finais é de 4,59, abaixo da referência de 4,70. A cobertura de creche também aparece como ponto de atenção, com média de 32,51%, inferior à referência nacional de 36,7%.

A infraestrutura revela um dos contrastes mais marcantes. O acesso ao esgoto divide os municípios mineradores em dois grupos: 27 cidades têm menos de 20% de acesso, enquanto outras 27 têm mais de 80%. A diferença regional também é expressiva: no Sudeste, a média de acesso ao esgotamento sanitário é de 83,29%, enquanto Norte e Centro-Oeste registram médias próximas de 12%.

Na dimensão ambiental, os dados mostram avanços importantes em alguns municípios, mas também desigualdades relevantes. Entre os municípios do Norte com dados disponíveis, a média de disposição inadequada de resíduos é de 100%. No Centro-Oeste, é de 78,92%; no Nordeste, 65,49%. Já Sudeste e Sul apresentam médias bem menores, de 6,49% e 1%, respectivamente. Além disso, 40 dos 68 municípios com informação disponível, ou 59%, registram recuperação de materiais igual a zero.

Exemplos que podem ser seguidos

Entre os municípios condecorados pelo Prêmio Municípios Mineradores 2026, os dados revelam experiências que podem inspirar outros territórios pelo Brasil. Itabira, em Minas Gerais, lidera a dimensão de infraestrutura, com 98,36% de acesso da população a esgoto, o maior índice da base analisada. Itatiaiuçu, também em Minas, se destaca em finanças públicas, com nota máxima em autonomia, gastos com pessoal, investimentos e liquidez.

Belo Vale (MG) aparece entre os destaques de saúde e lidera meio ambiente, com a maior taxa de recuperação de materiais da base, 25,91%. Alto Horizonte, em Goiás, é um dos municípios mais versáteis entre os 79 municípios, com destaque em saúde, educação e desenvolvimento econômico. Já Paragominas, no Pará, lidera a dimensão de gestão, com forte desempenho em transparência e governo digital.

Para Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, os resultados mostram que a mineração pode ser uma alavanca importante para o desenvolvimento local, desde que acompanhada de planejamento, continuidade administrativa e políticas públicas orientadas por evidências. “A receita mineral cria oportunidades concretas para os municípios, mas os dados mostram que o desenvolvimento local depende de uma combinação de fatores: capacidade fiscal, gestão, infraestrutura, políticas sociais e visão de longo prazo. O prêmio ajuda a identificar boas práticas e caminhos possíveis para transformar recursos em melhoria de vida para a população”.

O levantamento também mostra que não há um único modelo de município bem-sucedido. A competência tende a ser setorial: alguns se destacam em infraestrutura, outros em educação, saúde, meio ambiente, gestão ou finanças. Para apoiar esses munícipios, a Agenda Pública em parceria com ENAP idealizou a Comunidade de Boas Práticas, plataforma digital que tem como objetivo fomentar a troca de experiências entre gestores públicos, promover encontros e fortalecer soluções voltadas à melhoria da qualidade de vida da população em economias condicionadas a mineração.

 

 

 

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