Acordo Mercosul-UE entra em vigor e mais de 80% das exportações brasileiras ao bloco europeu passam a ter tarifa zero
A partir de 1º de maio, acordo inédito reduz tarifas, amplia acesso ao mercado europeu e impulsiona a competitividade da indústria brasileira

A partir desta sexta-feira (1º), entra em vigor provisório o acordo entre Mercosul e União Europeia, que marca o início de uma abertura comercial inédita entre os dois blocos. Após décadas de negociação, os blocos concluíram os procedimentos internos, permitindo o início da redução gradual de tarifas. O acordo cria uma zona que conecta um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Nesta primeira etapa, passa a valer a esfera comercial do acordo, que promove, dentre outras coisas, a redução de tarifas, compras governamentais e facilitação de comércio. Esse é considerado o acordo mais moderno e abrangente já negociado pelo bloco sul-americano, visto como uma oportunidade de virada estratégica para a indústria brasileira.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o acordo amplia o acesso preferencial para um dos mercados mais estratégicos do mundo e oferece maior previsibilidade regulatória. “
A CNI participou ativamente do processo do
De acordo com dados calculados pela CNI, mais de 5 mil produtos terão tarifa zero no mercado europeu assim que o acordo entrar em vigor, o equivalente a mais de 80% das importações da União Europeia de bens brasileiros em 2025. Desses produtos, alguns já são livres de alíquotas de importação e outros 2.932 passarão a ter tarifa zero, sendo 93% (2.714) bens industriais.
Entre os 2.932 produtos que possuem tarifas e terão redução imediata, alguns setores se destacam:
- Máquinas e equipamentos (21,8%)
- Alimentos (12,5%)
- Produtos de metal (9,1%)
- Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,9%)
- Químicos (8,1%)
A União Europeia importou US$ 607,7 milhões do setor de máquinas e equipamentos brasileiro em 2025. Com o acordo, 95,8% desse valor entrará com tarifa zero no mercado europeu imediatamente. Ao todo, 802 produtos do setor não estarão sujeitos a tarifas de importação na União Europeia, incluindo itens como compressores, bombas para combustíveis, lubrificantes ou líquidos de arrefecimento e árvores de transmissão.
Já no setor de alimentos serão 468 produtos sem tarifa imediatamente, incluindo subprodutos como animais não comestíveis; óleo de milho e extratos vegetais. No setor de Metalurgia serão 494 produtos sem alíquota de importação na entrada em vigor do acordo, incluindo ferro-gusa, matéria-prima da
Comitê do setor industrial
A CNI e suas congêneres no Mercosul, a Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU), a União Industrial Argentina (UIA) e a União Industrial Paraguaia (UIP), vão criar, em parceria com a BusinessEurope, um comitê do setor privado para monitorar e apoiar a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia. A iniciativa vai apoiar as empresas dos dois blocos econômicos na adaptação ao novo ambiente de negócios e na identificação de oportunidades concretas.
O fortalecimento da competitividade doméstica será determinante para maximizar os ganhos do acordo. Medidas voltadas à redução do custo Brasil, à melhoria da infraestrutura, ao estímulo à inovação e ao aumento da produtividade continuarão
Próximos passos
O acordo segue uma implementação progressiva, com a redução escalonada de tarifas para produtos sensíveis ao longo de prazos que podem chegar a até 10 anos na União Europeia e 15 anos no Brasil, com exceção de veículos elétricos, híbridos e novas tecnologias, que possuem um prazo maior de até 30 anos.
Também será publicada pelo Governo Federal uma portaria para






