Como a inteligência artificial está reduzindo 28% dos custos na construção civil

Como a inteligência artificial está reduzindo 28% dos custos na construção civil

Desperdício operacional representa quase um terço do valor dos imóveis no Brasil. Tecnologia aplicada já demonstra economia de até R$ 600 mil por empreendimento

 Como a inteligência artificial está reduzindo 28% dos custos na construção civil

A construção civil brasileira carrega um custo invisível: cerca de 28% do valor final de um imóvel está ligado a falhas operacionais e retrabalho. Plantas impressas na versão errada, documentos desatualizados, informações que não chegam a quem precisa, revisões que se perdem, decisões tomadas com dados defasados.

Esse desperdício está sendo desafiado pela aplicação prática de inteligência artificial. Em um empreendimento de médio porte, a economia pode chegar a R$ 600 mil apenas com a eliminação de impressões de plantas.

Considerando toda a operação, desde compatibilização de projetos até controle de qualidade, o ganho varia entre 15% e 20% do valor total do imóvel, segundo reportagem publicada no Valor Econômico que ouviu incorporadoras como Tegra, Helbor e BRZ Empreendimentos sobre o avanço da tecnologia no setor.

 Como a inteligência artificial está reduzindo 28% dos custos na construção civil

Empresas como a ConstruCode, com presença em 4 das 10 maiores construtoras do país, demonstram que a evolução acontece em camadas. Primeiro veio a substituição do papel, que por si só, já trouxe diversos ganhos: 250 milhões de metros quadrados de impressões evitadas, 70 mil árvores preservadas, 90% de redução no consumo de papel em obras. Depois, a organização da informação. Sistemas de GED (Gestão Eletrônica de Documentos) e CDE (Common Data Environment) criaram repositórios únicos onde toda a equipe acessa a versão mais atualizada de cada informação e cada documento. Fim das plantas erradas penduradas na parede, dos e-mails perdidos, das dúvidas sobre qual versão usar.

A tecnologia não funciona igual para todos na obra. O mestre de obras escaneia QR Codes na parede e acessa a planta atualizada direto no celular. Abre chamados pelo sistema quando encontra problemas. Não perde tempo procurando documentos ou esperando resposta por rádio. O engenheiro olha dashboards de produtividade gerados automaticamente, identifica gargalos via análise de dados, gerencia equipes com base em métricas objetivas. Menos tempo em planilhas, mais tempo resolvendo problemas de verdade.

O coordenador de projetos tem uma visão macro de interferências, compara automaticamente revisões, realiza a gestão de documentos que antes consumia dias de trabalho manual, indica necessidades de ajustes e compatibilizações nos projetos e abre tickets para revisões diretamente via sistema, com rastreabilidade de disciplinas, locais, prazos e responsáveis. O projetista recebe feedback claro e automático sobre qualidade de entrega, trabalha nas revisões e compatibilização entre disciplinas já identificadas pelo sistema, o que reduz drasticamente o retrabalho. As empresas relatam que muitos leem apenas os resumos gerados por IA para acessar informações de forma rápida e nem sempre precisam mergulhar nos relatórios completos. Marcio Dias Afonso, diretor de obra da Tegra, afirmou ao Valor: “A adoção de IA demonstrou uma redução de atividades operacionais manuais, permitindo que as equipes foquem em tarefas mais estratégicas”.

Incorporadoras que antes resistiam à digitalização hoje reconhecem que a tecnologia deixou de ser projeto piloto para se tornar parte central da operação.

Apesar dos avanços, executivos avaliam que o setor ainda está em estágio inicial de maturidade. “Ainda há uma diferença relevante entre testar soluções e incorporá-las de forma consistente aos processos centrais do negócio”, afirmou Francis Navarro, CTO da BRZ, ao Valor. A Tegra relata que o uso ainda é “pontual e pouco integrado”, limitado pela baixa maturidade dos dados. É o paradoxo: a IA precisa de dados estruturados para funcionar bem, mas muitas empresas só estruturam dados quando começam a usar IA.

O Valor Econômico ouviu incorporadoras do setor e os números aparecem: onde a tecnologia entrou de verdade nas áreas administrativas, economia milionária em licenças, mais de 40% de redução na carga operacional, milhares de horas de trabalho eliminadas e fechamento contábil até 68% mais rápido.

Como a inteligência artificial está reduzindo 28% dos custos na construção civil

A IA elimina conferência manual, controle repetitivo, tarefas administrativas que consomem horas sem agregar valor. Libera as pessoas para análise, coordenação, decisão, o trabalho que máquina não faz. Como coloca Diego Mendes, CEO da ConstruCode: “Codificar não é tirar o humano do trabalho, é devolver propósito a ele. A rotina pode ser codificada, o processo automatizado, o caos organizado”.

A evolução natural é conectar IA com o mundo físico da obra. Sensores de temperatura, telemetria de equipamentos, reconhecimento de imagem, IoT em geral. A tecnologia já existe, a aplicação prática ainda é limitada. A ConstruCode, reconhecida como TOP 1 no Ranking 100 Open Startups 2022, estrutura sua expansão para 2026-2028 começando pela América Latina, depois América do Norte e Europa. O conceito é que a tecnologia se adapte ao usuário, não o contrário. Plataformas que aprendem com cada obra, antecipam problemas antes de virarem custo, sugerem fluxos de trabalho baseados no contexto específico de cada projeto.

A avaliação dos executivos ouvidos pelo Valor Econômico é unânime: a tecnologia tende a aumentar a diferença entre empresas mais e menos eficientes. Como resumiu o executivo da BRZ: “O próximo ciclo do setor deve separar quem apenas experimenta de quem efetivamente reduz custo com eficiência operacional”. Não se trata mais de ter ou não ter tecnologia. Todas as construtoras têm algum software. A questão é se essa tecnologia está integrada ao core do negócio ou é ferramenta periférica que ninguém usa de verdade.

A diferença entre economizar R$ 600 mil em impressões e economizar 15% a 20% do valor total da obra está na profundidade da adoção. Papel digitalizado ainda deixa dinheiro na mesa. Processo modificado captura o valor real. Para Diego Mendes, a IA deve se consolidar como ferramenta para melhorar margem e competitividade, combinando redução de custos, ganho de produtividade e maior previsibilidade. Mas alerta: “Sua adoção em escala depende de avanços em integração de dados e mudança cultural no setor”. O tempo, afinal, é a moeda mais valiosa do século. E repetir ciclos não é construir.+

Reportagem “IA começa a reduzir custos e ganhar escala na construção civil” publicada no Valor Econômico em 07/04/2026

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