Chuvas antecipam florada do café e manejo passa a priorizar o pegamento dos frutos
Floração expressiva renova expectativas para a safra 2027, mas oscilações climáticas, calor e períodos de deficiência hídrica ainda podem interferir na formação dos frutos

As chuvas que chegaram mais cedo neste ano em importantes regiões produtoras de café favoreceram a abertura antecipada da florada e renovaram as expectativas para a safra 2027. Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Alta Mogiana, Matas de Minas e Espírito Santo registram floradas expressivas. A boa resposta das plantas, porém, abre agora uma nova etapa: transformar as flores em frutos em um período no qual oscilações climáticas, calor intenso e eventuais déficits hídricos ainda podem interferir no potencial produtivo da lavoura.
A abertura das flores é um sinal positivo, mas não representa, sozinha, garantia de produtividade. Depois da florada, o cafeeiro passa pelo pegamento e pela formação dos primeiros frutos, conhecidos como chumbinhos. Nesse período, a planta continua sujeita a estresses hídricos, térmicos e oxidativos, que podem afetar seus processos fisiológicos e comprometer parte do potencial que começa a aparecer no campo.
“A chuva estimulou a abertura da florada e mostrou o potencial da próxima safra. O desafio agora é criar condições para que essas flores avancem para a formação dos frutos, porque ainda teremos vários meses de desenvolvimento da lavoura pela frente. Mesmo com condições favoráveis neste momento, não sabemos como o clima vai se comportar nos próximos meses”, afirma a doutora em Agronomia pela Unesp Maria Gabriela Lanza.
A partir daí, segundo a especialista, o manejo precisa considerar não apenas aquilo que já é visível na planta, mas também sua capacidade de manter a atividade fisiológica diante das mudanças ambientais. Retenção de folhas, formação de ramos produtivos, pegamento e desenvolvimento dos frutos estão entre os processos relacionados à resposta do cafeeiro às diferentes condições de estresse.
Estresse vai além do sol forte
Por muito tempo, o estresse do cafeeiro esteve associado principalmente aos períodos de alta radiação e à escaldadura das folhas. O problema, no entanto, é mais amplo. Déficit hídrico, oscilações de temperatura e estresse oxidativo também podem afetar a planta em diferentes fases do ciclo, muitas vezes antes de os efeitos se tornarem visíveis.
“Quando se falava em estresse no café, a conversa ficava muito associada à escaldadura e aos períodos de sol forte. A radiação continua sendo um fator importante, mas não é o único. A planta também responde à disponibilidade de água, às variações de temperatura e ao estresse oxidativo. Depois de uma florada expressiva, esse olhar mais amplo para a fisiologia ganha ainda mais importância”, explica Maria Gabriela.
Essa leitura também muda a forma de abordar tecnologias voltadas ao manejo fisiológico. Em vez de concentrar a atenção apenas na proteção da superfície das folhas nos períodos de maior radiação, a estratégia passa a considerar a capacidade da planta de manter seus processos fisiológicos ativos diante de diferentes condições ambientais.
É nesse contexto que a ICL, líder em fertilizantes especiais, vem reforçando o posicionamento de Keep Green, primeiro biofertilizante registrado para café no Brasil, segundo a empresa, como uma tecnologia voltada ao manejo do estresse ao longo de todo o ciclo do cafeeiro, e não apenas em períodos de calor intenso. A tecnologia atua no metabolismo do cafeeiro e favorece o aproveitamento da luz pela planta, diferentemente de soluções cuja atuação se dá por meio de uma barreira física sobre a superfície foliar. O posicionamento técnico recomenda maior intensidade de uso em lavouras adultas entre setembro e outubro, período que coincide com a florada e o início da formação dos frutos.
“O objetivo não é tratar o sol como inimigo. A luz é indispensável para a fotossíntese e para a produção. O que buscamos é favorecer condições para que a planta mantenha sua atividade fisiológica mesmo quando enfrenta situações de estresse. A produtividade não é definida apenas na florada. Ela vai sendo construída ao longo de todo o ciclo”, afirma a gerente de Produtos Foliares da ICL.
Por isso, o manejo não termina quando as flores dão lugar aos primeiros frutos. O cafeeiro continuará exposto a diferentes condições ambientais até a colheita, e sua capacidade de manter a atividade fisiológica ao longo desse período pode influenciar o desenvolvimento da lavoura.

Três safras e mais de 300 áreas acompanhadas
O acompanhamento realizado pela ICL em campo reúne 312 áreas de café avaliadas nas safras 2022/23, 2023/24 e 2024/25. No período, foi registrado incremento médio de 7,52 sacas por hectare, equivalente a 18% na comparação entre as médias das áreas tratadas e seus respectivos controles. As avaliações foram feitas em 115 municípios de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia.
Na safra 2022/23, o incremento médio registrado foi de 9,01 sacas por hectare; em 2023/24, de 6,37 sacas; e, em 2024/25, de 7,29 sacas. Considerando as três safras, a produtividade média foi de 55,94 sacas por hectare nas áreas de controle e de 63,46 sacas por hectare nas áreas acompanhadas com a tecnologia. Somente na safra 2024/25, foram avaliadas 103 áreas, com incremento médio de 7,29 sacas por hectare, ou 17% em produtividade.
“Quando olhamos três safras consecutivas e ambientes distintos de produção, conseguimos ir além de uma fotografia pontual. Os dados de campo ajudam a mostrar que o manejo fisiológico não precisa estar condicionado apenas a um evento extremo de calor ou radiação. A produtividade é construída ao longo de meses, e é dessa forma que precisamos olhar para a planta”, acrescenta Maria Gabriela.
Sobre a ICL
ICL Group Ltd. é uma empresa global líder em minerais especializados, que desenvolve soluções impactantes para os desafios de sustentabilidade da humanidade nos mercados de alimentos, agricultura e indústria. Utiliza seus recursos exclusivos de bromo, potássio e fosfato, sua força de trabalho profissional global e sua P&D focada em sustentabilidade e recursos de inovação tecnológica para impulsionar o crescimento da empresa em seus mercados finais. A empresa emprega mais de 12,5 mil pessoas em todo o mundo e sua receita em 2024 totalizou aproximadamente US$ 6,8 bilhões. Suas ações são listadas duplamente na Bolsa de Valores de Nova Iorque e na Bolsa de Valores de Tel Aviv (NYSE e TASE: ICL).
A ICL atua no Brasil, de diferentes formas, desde a década de 1960, oferecendo um portfólio completo de soluções para atender às necessidades de agricultores e clientes industriais. São fertilizantes de eficiência aprimorada e de liberação gradual, micronutrientes para solo e foliares, macronutrientes secundários, ação fisiológica, tratamento via sementes, adjuvantes e produtos biológicos. A empresa controla também as marcas Aminoagro e Dimicron. Na área de Food and Phosphate, produz ácido fosfórico purificado, fosfatos para uso industrial e alimentício e misturas de ingredientes e aditivos alimentícios. Com 11 unidades de produção e quatro centros de inovação, onde conduz pesquisa e desenvolvimento de produtos e tecnologias, a ICL soma 1,8 mil colaboradores no País.






